É assim, a vida é assim. Tem gente que nasce e é só coração, emoção. Se entrega e se apega, tem a capacidade de amar incondicionalmente e de fazer a pessoa que está ao seu lado se sentir amada e desejada. Essa pessoa geralmente é a que sofre, a que chora. É ela que vai ter que ouvir a outra acabando o relacionamento e chorar ao lembrar de tudo. Ela que vai sofrer e ficar com o coração apertadinho ao ver as lembranças e notar que tudo acabou. Por outro lado, existem as pessoas racionais. Essas são as bruxas más. Rotuladas como coração de gelo, frias, calculistas e outros muitos adjetivos, estas pessoas são as que, diferentemente das anteriores, irão superar. Elas que irão acabar os relacionamentos e farão as outras sofrerem. Lógico que sofrerão, sentirão falta e irão lembrar da relação, mas elas serão mais fortes e conseguirão superar as coisas. Além disso, elas não são sentimentalistas, têm dificuldade de se apegar as pessoas, não se entregam facilmente e na maioria das vezes, não se apaixonam perdidamente. Alguns consideram isso um defeito, outros consideram isso como uma ótima qualidade, pessoas com esse perfil não irão sofrer e se machucar. Fica a reflexão.
Na minha humilde opinião, antes não sofrer e não se apegar, que ser feita de besta por qualquer um. Adotar esse racionalismo lhe trará consequências como perder pessoas, pois elas se magoarão com você e você irá perdê-las, mas antes perder pessoas, que sofrer demasiadamente por outros.
Eu mesmo já fui apaixonado por você, Juliana. Por três meses, sim, sim. Lembro disso até com um pouco de satisfação, porque fizemos coisas legais juntos. E a Marília Gonzaga que o diga! hahaha...
ResponderExcluirQuanto ao término de relacionamentos amorosos, tenho algumas poderações.
Toda perda pressupõe um luto e aqui não seria diferente. Por separação, nem sempre um luto reconhecido, ou por morte, chamada viuvez cujo luto é validado, reconhecido, as duas podem doer por muito tempo. A diferença do processo não é óbvia, contanto, uma vez que o luto depende do vínculo estabelecido e não é porque foi por morte que tal vínculo foi maior. O que quero dizer nesta consideração inicial é que o luto pela morte não é sempre maior ou mais difícil que o luto pela separação de um amor. Aqui, na separação, a perda é carregada de sentimentos de frustração de um projeto, a perda de um sonho, a perda do papel realizado anteriormente, do status quo, para não dizer da família, da convivência com os filhos, dos amigos, do padrão de vida. E dá saudade. Saudade de muitas coisas, até da aliança, muitas vezes objeto permanente nos dedos daquele que perdeu seu amor, vivo ou morto, como vi explícito no cantor Seal, em entrevista a um talk show americano no inicio deste ano. Ele gagueja, se emociona, faz pausas e finalmente responde a pergunta que não queria calar na boca da entrevistadora: E esta aliança no seu dedo, o que significa? Com muita clareza e não menos emoção, Seal diz que significa o que ele sente… o processo do luto é lento e precisa ser respeitado. “Eu me sinto bem assim. Não sei por quanto tempo vou usa-lá, mas ainda me sinto bem com essa aliança no meu dedo.” É preciso respeitar o processo do luto, fechar para balanço.
Diz a autora de Comer, Rezar e Amar, Liz Gilbert: “Antes de ir pra guerra, reze uma oração, antes de ir para o mar, duas e antes de se casar, reze três orações.”
E finalizo com a frase de Colin Parkes, médico e estudioso do Luto, “o luto pela perda é o preço que se paga por amar.” E eu afirmo com base na minha experiência pessoal, Juliana: vale a pena.