É como chuva, que vem de repente
e arrebata o corpo. Esta trazendo frio, este trazendo calor. Ambos mudando o
antigo estado de espírito. Esta causando nostalgia, este causando devaneios.
Ambos penetrando por entre os poros e acalmando o ser. É como um dilúvio por
segundo, uma montanha russa por minuto, um tremer de perna toda hora, um
embrulho de estômago todo dia. É como um pouco de tudo misturado no
liquidificador.
Uma palavra qualquer, um sorriso
espontâneo, um abraço apertado, um olhar acolhedor, um beijo inesperado, uma
mordida chata, uma mão quentinha, um ombro amigo, um porto seguro, uma
felicidade imensurável, uma lembrança constante, uma saudade ininterrupta, um
medo malquisto, um cuidado especial, um carinho gigantesco, uma delicadeza
única, um entendimento rápido, uma atração fatal, uma aceitação pacífica, uma
conversa boa, um pensamento viajante, uma saudade antecipada, um sentimento
desconhecido. Algo que consegue ser tudo e não ser nada, fazer chorar e sorrir,
alegrar e entristecer, racionalizar e enlouquecer.
É possível? Pessimistas e
otimistas discutem. Mas a mim pouco importa. Sendo o paradoxo que é, faz meu
mundo feliz. E assim como a criança que acredita em fadas simplesmente
acredita, aquele que sente simplesmente sente. Sem explicações, rotulações ou
conceitos pré-definidos. É a sensação adotada como valor máximo. Sentir sem
entender o sentido de todo o sentir. Sentir sem saber o que se sente. Sentir
sem usar a razão. Sentir apenas porque faz bem. E se toda essa loucura cabe aos
que sentem que eu sempre sinta, pois antes sentir sem explicação, que caminhar
vazio e longe da emoção.