20 de maio de 2013

Como assim?

E não é pra explicar, é só pra existir. Não como algo obrigatório e rotineiro. É uma fuga, é minha fuga. É só mais um pedaço de "papel" pra expor tudo aquilo que não é dito, aquilo que fica guardado, mas que se ficar guardado, explode. Tem que ser exorcizado, precisa ser! Se não for, apodrece tudo dentro de mim.
Pois eu que sempre falei tanto, hoje calo. Calo tanto que me espanto. Tenho tudo pronto a ser dito e não digo. Só ouço e nem repito.
Se é bom eu não sei, só sei que assim economizo fios de ouro. Talvez não tenha importância agora, mas vai que no futuro tem. Uma coisa é certa: se calo, uma hora falo. E se não falo diretamente, indiretamente também é válido. Nem que seja numa mistura estranha de tudo, num jogo de palavras embaralhadas onde nada faz sentido. Até porque essa é a intenção.
"E que fique muito mal explicado. Não faço força pra ser entendido. Quem faz sentido é soldado..." [C. M.]


ôh, Carolina.

Todo mundo nasce com algum dom. Carolina tem o dom da escolha. Ah, mas antes fossem boas escolhas. Ela parece macaca, que pula de galho em galho e sempre pula nos quebrados. Quanto mais se segura, pior é a queda. E por que será? Carolina vive a se perguntar. Mas ante a inexistência de resposta, ela só aceita e pula. Pula de uma decepção pra uma nova ilusão. Quando caí, a ilusão vira decepção e ela procura outro galho. No fundo ela sabe que uma hora ela vai pular em um firme, bem firme, mas ela não quer. Não agora. Agora ela só quer pular, tá muito cedo pra de vez se pendurar. Alguns de cara vão logo quebrar, então ela aproveita enquanto pode e quando cai, não sente a dor. E só é assim porque ela sabia que seria assim.
Mas e quando ela não sabe? Quando ela pula e só balança? Nem cai, nem anda. E agora, Carolina? Fica? Pula? Não sei se é regra, mas dessa vez ela vai ficar. Talvez lá dentro ela saiba que esse vai quebrar ligeiro, mas ela não quer aceitar. Até porque o ciclo não se completa se entre duas desilusões não houver uma ilusão. E o galho é sabido, acostumado a segurar Carolinas. Ele tem charme, ele seduz, atrai da melhor forma possível: fingindo que não quer atrair. E Carolina, que ficou muito tempo no chão, agora que subiu, não se importa com a queda ou estadia, ela só quer viver aquele galho. Se um pedaço dela ficar por aí, que diferença faz? Tantos outros já ficaram. Tem galho que ela carrega consigo até hoje. Uns lhe fazem sorrir ao olhar, mas um certo em questão, de tanta atração, lhe faz querer chorar. Mas não fuja, Carolina, do galho em que resolveu se pendurar. Apesar de sonhar com outros mais altos, é neste que agora você está.
Ela só quer aproveitar. Mas como fazê-lo sem muito se machucar? Se bem que a dor pouco importa, com isso ela sabe lidar. O que importa é que exista motivo para tal. Para existir motivo, alguma coisa tem que ter acontecido. E é isso que falta. É exatamente essa lacuna que precisa ser preenchida. Ah, e como precisa! Paciência, Carolina, ela será. Talvez não como deseje quando fecha os olhos a luz da lua, mas será. Se der sorte, melhor que o que pôde imaginar. Apenas segure, não firme, não frouxo, só segure. Pode segurar sem medo, que o resto o destino se encarregará. E pra não perder o clichê: o que tiver de ser, será.